Para a maioria dos angolanos, em situação de pobreza, o Estado de Emergência da COVID-19 revelou as suas vulnerabilidades socioeconómicas

Mais de metade dos angolanos ficaram privados de comida, água potável e assistência médica e medicamentosa no ano passado, de acordado com os dados do primeiro inquérito de opinião pública do Afrobarómetro em Angola, deixando a descoberto vulnerabilidades socioeconómicas profundas, que têm tornado extremamente penoso o cumprimento das medidas restritivas do Estado de Emergência, no âmbito das medidas de combate a COVID-19.

Com base nos dados recolhidos de novembro a dezembro de 2019, mais de um terço dos angolanos sofreu situações de pobreza extrema, nos 12 meses anteriores, ficando “muitas vezes” ou “sempre” privados de bens essenciais, incluindo salários ou outras formas de rendimentos.

O país está a viver um longo período de estado de emergência, com isolamento social, desde o final de março, a fim de combater a propagação do coronavírus. Embora pareça haver um amplo acordo entre atores políticos e cidadãos de que as medidas são necessárias, aquelas descobertas desafiam o governo e os parceiros do desenvolvimento a implementar estratégias que possibilitem mitigar o impacto do cumprimento das medidas sanitárias pelas famílias mais carenciadas.