AD139: Um voto de desconfiança? Os Moçambicanos ainda votam, mas a fé na democracia está a diminuir

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Imagem: Extensão da, e satisfação com a democracia | Moçambique | 2002-2015
Dispatches
2017
139
Thomas Isbell

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Desde a independência em 1975 que a história de Moçambique tem sido marcada por profundas crises económicas, instabilidade política e violações disseminadas dos direitos humanos. Em 1990, após 16 anos de guerra civil entre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) governante e a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o governo do antigo Presidente Joaquim Alberto Chissano estabeleceu uma constituição democrática num esforço para por fim ao conflito (Pitcher, 2006). A constituição prevê eleições multipartidárias e a separação dos poderes legislativo, executivo e judicial.

As reformas económicas e políticas para apoiarem uma transição para a democracia mereceram aplausos dos observadores independentes. No entanto, as eleições em 2005, 2009 e 2014 foram prejudicadas por acusações de manipulação eleitoral (Bertelsen, 2016; Azevedo-Harman, 2015), levantando questões sobre o progresso de Moçambique em direcção à paz e à democracia.

Utilizando dados do inquérito de 2015 do Afrobarómetro, este boletim examina a forma como os Moçambicanos comuns percepcionam a qualidade das suas eleições e o actual estado da democracia do seu país. As respostas ao inquérito pintam um quadro problemático, sugerindo um declínio alarmante da confiança popular nas eleições e na democracia. Menos de metade dos inquiridos vêem a democracia como preferível em relação a qualquer outra forma de governo e, a aceitação de alternativas autoritárias está a aumentar. Cada vez mais cidadãos vêem as eleições como menos livres e justas e duvidam da garantia de representação das opiniões dos votantes nas eleições. Ainda assim, a maioria dos Moçambicanos vêem o voto como um bom dever dos cidadãos - talvez uma indicação de que apesar dos elevados níveis actuais de insatisfação, não desistiram totalmente da democracia.