Para a maioria dos angolanos, a denúncia de casos de corrupção acarreta riscos de retaliação

Corruption

João Lourenço, Presidente da República, e Hélder Pitta-Grós, Procurador Geral da República, têm multiplicado apelos aos cidadãos angolanos para juntarem-se à cruzada nacional contra a corrupção, denunciando activamente os casos de corrupção. Entretanto, os dados do primeiro inquérito do Afrobarometer revelam que a maioria dos angolanos consideram que a denúncia de casos de corrupção acarreta riscos de retaliação ou outras consequências negativas.  

Os dados do inquérito indicam ainda que as opiniões dos angolanos dividem-se quanto aos outros aspectos da luta contra a corrupção, como por exemplo se o nível de corrupção aumentou ou diminuiu em relação a 2018; se João Lourenço está a usar o combate contra a corrupção para afastar adversários políticos no interior do MPLA; ou se os casos de corrupção cometidos até 2017 devem ser perdoados para promover a estabilidade política do país. Mas a maioria concorda que o governo deve recuperar todos os bens financeiros e patrimoniais adquiridos por meio de actos de corrupção.

No geral, a maioria dos angolanos diz que o governo está a ter um mau desempenho no combate à corrupção. Entre as principais instituições públicas, a polícia é a mais percepconada como sendo a mais corrupta.